"O deserto é um ambiente de revelação, estranho genética e fisiologicamente. Sensorialmente austero. Esteticamente abstrato. Historicamente hostil.
Suas formas são nítidas e sugestivas. A mente é assediada por luz e espaço, a novidade cinestésica da aridez, alta temperatura e vento.
O céu do deserto é abarcante, majestoso, terrível.
Em outros habitats, a linha do céu acima do horizonte é quebrada ou obscurecida; aqui, junto com a parte acima da cabeça, é infinitamente mais vasta do que a do campo ondulado e a das florestas.
Num céu desobstruído, as nuvens parecem mais imponentes, refletindo às vezes a curvatura da Terra em suas concavidades inferiores. A angulosidade das formas terrestres do deserto empresta uma arquitetura monumental tanto à terra como às nuvens.
Ao deserto vão profetas e eremitas; pelo deserto cruzam peregrinos e exilados. Aqui, os líderes das grandes religiões buscaram os valores terapêuticos e espirituais do retiro, não para fugir da realidade, mas para encontrá-la."
Paul Shepard em "Homem na Paisagem: Uma Visão Histórica da Estética da Natureza"

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