Em 2010, a Revista National Geographic publicou uma série de fotos incríveis do abrigo antártico utilizado pela expedição do inglês Robert Falcon Scott, batizada de "Terra Nova", realizada entre 1910 e 1912. A cabana, erguida no cabo Evans, porção neozelandesa da Antártida, serviu de apoio para a expedição, que tentava chegar primeiro ao Pólo Sul.
Foto de Scott no abrigo da Ilha de Ross em 1911, antes do "ataque ao Pólo"
Foto recente do mesmo aposento
Foto da equipe saindo do abrigo em 15 de Setembro de 1911
Durante o retorno, tempestades terríveis e temperaturas que só seriam registradas novamente 50 anos mais tarde fizeram com que todos os membros da expedição de Scott morressem de fome e frio, sendo que os últimos foram encontrados a poucos kilômetros de um depósito de suprimentos, selando a sorte da expedição inglesa.
A cabana ficou do jeito que eles a deixaram, com as ferramentas e instrumentos de laboratório utilizados pelos exploradores, além de seus mantimentos enlatados, engarrafados e carnes congeladas penduradas para comer mais tarde.Mesa de refeições: Talheres e utensílios permanecem intactos 100 anos depois
Apesar de outras equipes terem usado o abrigo até cerca de 50 anos atrás, ele permanece quase exatamente como foi deixado por eles a 100 anos atrás. O clima frio e seco da região manteve até os mantimentos deixados pela expedição em inacreditável estado de conservação. A casinha de Scott fica no meio do nada, trazendo ao visitante a verdadeira atmosfera inóspita encontrada pelo explorador no começo do século passado, e assim tornou-se o principal ambiente representativo dos momentos de concentração dos primeiros exploradores antárticos.
Não há dúvida de que a cabana de Scott completará seu 100º aniversário este ano, mas certamente não estará tão conservada. O processo de deterioração da cabana é lento, mas efetivo. Os fortes ventos da região cobrem a cabana com neve durante os invernos. A chegada dos verões causa o derretimento gradativo dessas toneladas de neve, transformando-as em água que escorre por dentro da cabana e se infiltra em seus materiais.
Além do abalo das estruturas da casa pela intensa pressão da neve acumulada, as paredes, assoalho e artefatos se deterioram química e biologicamente (fungos) num ritmo moroso, desde o abandono da cabana pelos exploradores. Numa tentativa de resolver o problema da deterioração, a autoridade que cuida dos patrimônios históricos na parte neo- zelandesa da Antártida (New Zeland Antarctic Heritage Trust) implementou, em outubro de 2006, um plano de conservação da cabana que inclui reconstrução da estrutura física e substituição de artefatos deteriorados por réplicas fabricadas em laboratórios.
Ongs defensoras da originalidade da cabana de Scott, obviamente, nem de longe gostaram da idéia. Parece ironia, mas justamente o plano de conservação para a cabana é o que pode destruí-la de vez.
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