21 de julho de 2011

O Silêncio Branco



“A tarde descambou, e com o temor gerado pelo Silêncio Branco, os mudos viajantes se curvaram em sua faina. A natureza possui muitos ardis para convencer o homem da sua qualidade finita: o fluxo incessante das marés, a fúria da tormenta, o abalo do terremoto, o mais assombroso de todos, é a fase passiva do Silêncio Branco. Todo movimento cessa, o firmamento clareia, os céus são de cobre; o menor sussurro se diria um sacrilégio e o homem se intimida, apavorado ao som da própria voz. Única mancha de vida jornadeando pelos desertos fantasmais de um mundo morto, ele treme em face da própria audácia, percebe que a sua vida é a de um verme, nada mais. Estranhas idéias não evocadas lhe afloram à mente, e o mistério das coisas luta por expressão. E o medo da morte, do universo, subjuga-o – a esperança na Ressurreição e a Vida, o anseio da Imortalidade, o vão esforço da essência prisioneira – e é então, ou nunca, que o homem caminha solitário com Deus.”

Traduzido do conto “The White Silence” de Jack London

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