13 de agosto de 2012

Fotos da Expedição Terra Nova


Em 1911, o fotógrafo britânico Herbert G. Ponting (1870-1935) passou 14 meses na Antártida e produziu um vasto material – ainda hoje, um dos mais ricos sobre a região.

Ponting foi convidado pelo capitão Robert Falcon Scott (1868-1912) para fazer parte da British Antartic Expedition(1910-1913), conhecida como Terra Nova (nome do navio de suprimentos). A expedição tinha objetivos científicos e disputava com a do explorador norueguês Roald Amundsen (1872-1928) um lugar nos livros de história, como a primeira a chegar no Pólo Sul. Amundsen chegou um mês antes da Terra Nova e Scott morreu na viagem de volta.

Durante a expedição, Ponting produziu em torno de 1.700 fotografias. Além de fotografar paisagens, a vida animal, o dia a dia da tripulação e pesquisadores, Ponting fez dezenas de retratos com um apuro técnico e estético dos grandes retratistas do século XX. Todo esse acervo está depositado no Scott Polar Research Institute, da Inglaterra.


O PROCESSO – No começo do século XX, as técnicas fotográficas avançavam rapidamente e novos processos químicos surgiam. Para registrar a expedição à Antártida, contudo, Ponting escolheu uma técnica ainda da primeira metade do século XIX: o negativo de vidro. Vários motivos fizeram Ponting escolhê-lo para a expedição: familiaridade com o equipamento, preferência estética e técnica – já que os negativos de vidro resultavam em boas cópias fotográficas – ou até mesmo questões comerciais. Estes negativos já eram industrializados e vendidos prontos para o uso a partir de 1878. No Brasil, as placas de vidro foram utilizadas até a década de 1950.

Provavelmente, Ponting utilizou os negativos obtidos em placas de vidro emulsionados com gelatina-prata e mais conhecidos como colódio* seco. Na época e pelo local, a escolha era uma boa solução por não necessitar de processamento imediato, diferentemente do colódio úmido. O professor Boris Kossoy explica bem isso no seu livro Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: “Com as chapas secas (sendo em geral o bromureto de prata a substância sensível) o fotógrafo de arquitetura e paisagens não necessitava mais carregar consigo tendas, produtos químico, frascos, banheiras e todo o equipamento transportado geralmente em carroças adaptadas como laboratórios da campanha, onde se revelavam as chapas enquanto o colódio se mantinha úmido”.

* Colódio: Resultado da dissolução de nitrato de celulose em álcool e éter é uma substância transparente, viscosa e muito volátil. Tem como característica a impermeabilidade após curto tempo de utilização, exigindo sempre que seja utilizado enquanto úmido.


O Terra Nova ancorado na Antártida


Anton Omelchenko na extremidade da geleira Barne


Pinguins no Cabo Royds


Gruta de gelo em Ross Dependency


Geleira na Ilha de Ross. Ao fundo o Monte Erebus


Focas no Cabo Evans


Iceberg na costa do Cabo Evans


Geólogo Thomas Griffith Taylor e o meteorologista Charles Wright na entrada de uma gruta


Adestrador de cães Cecil Meares no convés do Terra Nova


Anton Omelchenko corta o cabelo de Patrick Keohane


Beliches no acampamento da expedição


Capitão Robert Falcon Scott (centro) comemora seu aniversário de 43 anos


O adestrador de cães Cecil Meares e o capitão Lawrence Oates cozinhando para os cães


Capitão Robert Falcon Scott escreve em seu diário


Oficial Edgar Evans


Thomas Clissold, cozinheiro da expedição, com pinguim imperador


Fotógrafo Herbert Ponting


Membros da expedição em acampamento improvisado


Capitão Robert Falcon Scott (centro) com outros membros da expedição


Explorador Apsley Cherry-Garrard


Explorador Sir Charles Seymour Wright


Dr. Edward Adrian Wilson


Capitão Lawrence Oates


Fotógrafo Herbert Ponting


Fotógrafo Herbert Ponting em seu laboratório improvisado no acampamento da expedição



Texto: Alexandre Belém
Fonte: veja.abril.com.br

4 de janeiro de 2012

Os primórdios do montanhismo em Santa Catarina

Quando se trata de histórico do montanhismo nacional, logo remete-se as manifestações ocorridas nos tradicionais estados do Rio de Janeiro e Paraná, onde sem dúvida, o montanhismo foi praticado com maior coesão, rendendo uma seqüência cronológica de conquistas e feitos notáveis , se tornando os principais centros da prática do montanhismo no Brasil.

Reginaldo José de Carvalho* - SC - Publicado originalmente no Jornal da Montanha**.


O Estado de Santa Catarina, apesar de não ser muito conhecido no cenário do montanhismo, possui algumas pérolas que contribuem para enriquecer a história do montanhismo nacional, muito embora, esta prática se desenvolveu de forma mais sutil, porém, contemporânea aos principais centros e que merecem ser conhecidas.

Com a chegada dos imigrantes europeus, a necessidade, juntamente com a dificuldade de conectar as cidades para escoar matéria prima entre os portos com o planalto, foi muito determinada pelas serras, que impuseram desafio aos primeiros exploradores encarregados de abrir as estradas em direção ao planalto, tornando-se as transposições das serras catarinenses grandes empreitadas louváveis e reconhecidas até os dias atuais.

Também com os europeus, houveram os primeiros relatos e registros de ascensões, muitas vezes exploratórias e outras já com cunho montanhístico e contemplativo, dentre as principais, segue em ordem cronológica um pequeno resumo das ascensões históricas nas montanhas de Santa Catarina.

Neste artigo, serão descritos os principais feitos ocorridos entre os anos de 1711 à 1948, somente o que diz respeito aos primórdios, pois a história moderna ainda está sendo construída.


1711: Diversas foram as montanhas exploradas com a chegada dos europeus, onde as primeiras fontes são de Padres Jesuítas, principalmente na Serra Geral, em Urubici a partir do ano de 1711, quando D. João V ordenou que os mesmos demarcassem o território, procurassem minas e catequizassem os índios Xokleng que habitavam aquela região.

Montanhas como Costão do Frade 1370m, Morro Pelado e Morro do Campestre 1385m, são elevações possuidoras de muitas histórias sobre os tais jesuítas, o Costão do Frade principalmente, possui uma escadaria de pedras, feita com mão de obra escrava, com descrições antigas sugeridas serem dos jesuítas.

O segundo ponto mais alto do Estado, o Morro da Igreja 1822m, é detentor de muitas histórias e lendas indígenas e de tesouros escondidos em suas escarpas, acredita-se que os padres jesuítas foram os primeiros europeus a subirem esta elevação em 1745, seu nome pode ter surgido dos próprios sacerdotes exploradores.



Neve no Morro da Igreja (1.822m) em Uribici.


12 de abril de 1791: O primeiro relato documentado que se tem conhecimento sobre a subida de uma montanha em Santa Catarina, é do Capitão Antônio Marquez d'Arzão, encarregado de abrir a estrada que ligava Desterro (Ilha de Santa Catarina) aos Campos de Lages, hoje BR 282, chegando em Bom Retiro, nome batizado pelo próprio Arzão, que considerou o lugar um bom paradeiro para sua tropa estabelecer uma vila militar na base do Morro Trombudo.

Em uma certidão de assentamento, Arzão relata o objetivo de sua escalada ao Trombudo, "...fui assentar por parte desta Capitania de São Paulo, um marco no cume da serra apelidada de Trombudo, que desta Vila do Sertão das Lages". Este marco, era feito de madeira de pau andrade, lavrado em quatro faces com os caracteres SP e SC em referência a divisão territorial das províncias de São Paulo e Santa Catarina.

O Trombudo apesar da altitude (1.306m), por estar mais para o interior, afastado da frente de escarpa da Serra Geral, possui pouco desnível, variando entre 300 e 400 metros somente, não sendo muito significativo, mas a ascensão possui um valor histórico. O marco implantado por Arzão, foi encontrado recentemente por topógrafos no topo da montanha, confirmando o fato histórico.




08 de março de 1852: Outro registro digno de nota, se trata da escalada do Morro da Tromba (967m), desta vez, situado na Serra do Mar em Joinville, com maior desnível, agora 900m, essa montanha foi escalada em 8 de março de 1854, pelo imigrante francês Louis Leonce Aubé, intendente e responsável pelas terras dotais da Princesa Dona Francisca Carolina a quarta filha do imperador Dom Pedro I e do principe francês François Ferdinand da cidade francesa Joinville, herdeiros de um dote de terra onde atualmente está inserida Joinville, região nordeste de Santa Catarina. Essa ascensão teve como objetivo principal a visualização das terras dotais, já que do alto do Tromba, há uma vista de toda a região norte catarinense. Em uma carta endereçada ao príncipe e intendentes do Rio de Janeiro, Aubé relata em francês, pormenores da empreitada destacando a árdua subida que foi recompensada pela maravilhosa vista que se tem do topo.


Morro da Tromba (967m), no Distrito de Pirabeiraba - Joinville.


1872: Destaca-se também, a primeira escalada do Pico Spitzkopf (940m), traduzido do alemão "Cabeça Pontuda", montanha detentora de grande documentação histórica e publicações.

O Spitzkopf, possui um perfil bonito e convidativo, está localizado na Serra do Itajaí, município de Blumenau, a área está inserida em um parque Ecológico. O "Spitz" como é conhecido, foi escalado pela primeira vez em 1872, pelo Comandante das Guardas de Batedores do Mato Friederich Deeke entre outros ajudantes.

A escalada não foi por um motivo tão nobre, Deeke e seus batedores estavam caçando e iniciaram uma perseguição a uma anta, o animal aflito e muito ágil nesses terrenos subiu a montanha, após um tempo de perseguição, acabaram chegando no topo, Deeke se encanta com a vista e desenha a paisagem em um papel que após a escalada foi enviado ao Dr. Blumenau.


Excursionistas descansando na base do Spitzkopf.


05 de junho de 1886: A escalada que serve de referência para o inicio da atividade de montanhismo em Santa Catarina até o momento, trata-se da subida do Pico Jurapé (ou Jurapê - 1.149m), situado na Serra do Mar em Joinville, quando em 06 de junho de 1886, o imigrante suíço Johan Paul Schmalz, juntamente com uma equipe de seis pessoas: Bruno Clauser, Hahn, Jacob Schmalz, Otto Delitsch e mais dois sujeitos definidos como "dois alugados", atingiram o ponto culminante da montanha, após três árduos dias de trabalho, abrindo trilha diante de uma floresta extremamente cerrada.

Foi uma escalada autêntica, pois subiram a montanha "porque ela estava lá", sem outros objetivos, o Pico Jurapé é uma montanha estética e imponente, com 1100m de desnível e terreno bastante íngreme, sempre intrigou Schmalz que era um grande apreciador e conhecedor das belezas naturais da região e já fazia tempo que divisava a montanha, até que chegou a hora.

O relato de Schmalz é uma verdadeira pérola, pois o leitor pode ser transportado para a montanha, anotou a escalada minuciosamente em seu caderno de registros. Em umas das passagens, relata a dificuldade de transpor um degrau imposto pela montanha, onde os mesmos tiveram que se utilizar de uma corda para transpor um ressalto no relevo, segundo o relato de Schmalz: "Daqui saímos, às 6h30m da manhã, com muita dificuldade e perigos, servindo-nos constantemente da corda. Subimos o barranco até chegar ao dorso o que nos permitiu um deslocamento fácil e sem necessidade da corda..."

Realizaram mais um pernoite já na crista final do Jurapé e no dia 6 de junho atingiram o cume do tão almejado pico. Schmalz e os membros de sua equipe ficaram encantados com o que viam do alto do Jurapé, segundo os relatos do próprio Schmalz:

"Foi sublime o momento em que pela primeira vez pisaram, gentes civilizadas, neste lugar, o morro mais alto de toda a costa da província. Viam-se as outras serras e cumes, muito abaixo, e nenhum da mesma altura. O panorama que nós tínhamos não pode ser descrito. Nenhuma nuvem tem embaraçado a vista..."

Animados com o feito, a equipe de Schmalz acendeu uma fogueira do alto do Jurapé, com objetivo de informar aos moradores que o pico fora conquistado. Schmalz registrou a escalada colocando uma pequena garrafa com uma carta em uma árvore, conforme relatou:

"... Às 9 h, ascendemos fogo e fizemos grande fumaça para sinalizar a nossa chegada. Porém, o vento forte não deixou a fumaça subir. Por isso foi mal percebida e só em poucos lugares. Como sinal da nossa chegada e desta primeira excursão, coloquei um frasco pequeno com rolha de vidro que continha uma carta de visita minha com a assinatura de todos os companheiros e a data da chegada, no arbusto mais alto (talvez três metros) que há no cume; entre dois galhos. Amarrei-o com fio e cobri com musgo para evitar que caísse antes de que o musgo, que aqui muito cresce, o fixasse nos galhos..."

Schmalz além do Pico Jurapé, escalou o Araraquara (1.222m). Embora seus descendentes, possuidores de seu acervo, não tenham o relato desta escalada, pois um de seus cadernos de anotações foi extraviado, é muito provável que as datas sejam próximas. 


Pico Jurapé (1.149m).



19 e 20 de julho de 1892: Nos dias 19 e 20 de julho de 1892, foi registrada uma nova escalada ao Spitzkopf, desta vez, realizada pelos excursionistas Otto Wehmuth, Christian Imroth, Fritz Alfart, Hermann Gauche Sênior entre outros, sendo a primeira ascensão da montanha para fins de excursionismo. Após esta ascensão, o Spitz começou a ser freqüentado com mais freqüência.

1899 - 1900: Imigrantes italianos do município de Nova Trento, no vale do rio Tijucas, escalaram diversas montanhas em torno da cidade com a finalidade de implantar cruzes e oratórios nos cumes das principais montanhas das cercanias como o Monte Barão de Charlach (1.148m), Monte Lima (1.090m), Monte Bela Vista (850m) e Morro da Onça, atual Morro da Cruz (525m). 

17 de julho de 1929: Foi fundado o primeiro clube de montanha do Estado, o Spitzkopf Klub, tendo como presidente: Otto Huber, secretário Rudolf Hollenweger, tesoureiro Alfredo Gossweiler, rancheiro, guarda da cabana, Fritz Hasse. Proprietários Paul Scheidemantel, Gauche (alfaiate) e Wünsch. O clube foi fundado com com a finalidade de conservar a trilha de acesso e fazer uma cabana no alto, para abrigar visitantes que por ventura subissem o Spitzkopf.

No ano de 1948, surge em Joinville o Centro Excursionista Monte Crista - CEMC, fundado no dia 20 de novembro, com o objetivo de promover atividades ao ar livre, principalmente explorar as belezas naturais da região.

Tratava-se de um grande e unido grupo, formado principalmente por rapazes e moças joinvilenses descendentes de alemães e suíços. A criação do CEMC foi uma atitude de vanguarda na época, pois ainda havia poucos clubes instituídos no Brasil.

Com o lema "Fazemos excursões para melhor conhecer as belezas naturais de nossa querida pátria", realizavam atividades com freqüência nas montanhas da região como ao Monte Crista (967m), o Morro da Tromba, o Jurapé e o Castelo dos Bugres (998m), além de muitos outros recantos naturais da região e de outros estados.



Castelo dos Bugres (998m).


* Reginaldo Carvalho é montanhista e geógrafo, pratica montanhismo há dezesseis anos. Exímio conhecedor da Serra do Mar local onde realizou diversas empreitadas como ascensões, travessias, aberturas de rotas de escalada e conquista de montanhas virgens.

** O jornal da Montanha é uma publicação impressa mensal. Sediada em Quatro Barras (SC), destina-se a divulgar o montanhismo do Sul do Brasil.


Fonte: http://altamontanha.com/index.asp

9 de novembro de 2011

O Chamado Selvagem


‎"Há um momento de êxtase que marca o ponto mais alto e inexcedível da vida. É um paradoxo que esse momento chegue exatamente quando nos sentimos mais vivos, embora inteiramente inconscientes de que estamos vivos. Esse momento é conhecido dos artistas. E também do soldado que, enlouquecido pela guerra, mesmo num campo cercado, se nega a render-se."


Jack London em "O Chamado Selvagem"

24 de outubro de 2011

Livro publica fotos inéditas da expedição de Scott ao Pólo Sul

Provavelmente Demetri é quem aparece na imagem, treinando um grupo de cães - Cabo Evans, outubro de 1911


O historiador e estudioso da região polar David M. Wilson tomava uma bebida em um mercado de arte alguns anos atrás quando um colecionador desconhecido aproximou-se. ''Ele disse: 'Você não vai adivinhar o que eu tenho em minha coleção’'', lembra Wilson.

O colecionador era Richard Kossow e lhe disse que em 2001 havia adquirido um portfólio de fotografias da Antártica do início do século 20. Contudo, não eram fotos comuns da Antártida: as fotos eram da expedição de Robert Falcon Scott que durou de 1910 a 1913 e na qual ele vários homens – incluindo o tio-avô de Wilson, Edward Wilson – morreram ao regressar.

Além disso, não eram fotos de expedição quaisquer, contou Kossow: eram fotos tiradas pelo próprio Scott. ''Eu quase engasguei com o gim-tônica’', afirma Wilson.

Durante muito tempo, o paradeiro da maioria das fotos de Scott – tiradas nas proximidades do local de invernagem na ilha Ross e no caminho em direção ao polo – fora um mistério. Apenas uma ou duas dezenas haviam sido publicadas, sendo que muitas delas foram atribuídas a outras pessoas de forma indevida. As fotos não publicadas aparentemente permaneceram por décadas em um arquivo comercial.

Agora, à medida que se aproxima o centenário da morte de Scott, que faleceu em março de 1912, Wilson publicou todas as imagens em seu livro 'The Lost Photographs of Captain Scott’ ('As fotografias perdidas do capitão Scott’, em tradução livre) juntamente com descrições detalhadas do local e do momento em que foram tiradas, da melhor maneira que foi possível ao autor determinar.




Scott contratou Herbert Ponting, conhecido fotógrafo profissional de viagens. Nunca se esperou que Ponting realizasse a árdua viagem da ilha Ross ao polo com trenós, pôneis e cachorros. Em vez disso, ele ministrou um curso intensivo de fotografia a Scott e outras pessoas, ensinando-os a usar câmeras volumosas, lentes e filtros, e tirar a fotos com adequada exposição à luz em condições extremas.

A curva de aprendizagem foi bastante acentuada, mas Scott tornou-se um dos melhores alunos de Ponting. Muitos de seus fotógrafos provêm dessas sessões de treinamento.

Sophie Gordon está montando uma exposição de trabalhos de Ponting como curadora sênior da coleção real do Castelo Windsor e Frank Hurley, fotógrafo mais de uma época mais recente da Artártida, afirmou que Scott aprendeu bem com o professor.

''Ele realmente usou de sensibilidade artística’', afirma Gordon. ''As suas melhores fotos parecem com as de Ponting’', afirma.


Acampamento nas Montanhas Wild - 20 de dezembro de 1911

Pôneis em marcha - 02 de dezembro de 1911

Acampamento de inverno - outubro de 1911


Fonte: http://www.extremos.com.br/

17 de outubro de 2011

Destino de expedição do século XIX ao Ártico continua envolto em mistério

Tem sido descrito como uma das maiores histórias de horror da era vitoriana. Dois navios com 129 homens a bordo e equipados com a tecnologia mais avançada, desaparecem quase sem deixar vestígios. Cento e sessenta anos de pesquisa não encontraram o HMS Erebus e seu navio-irmão, o (um tanto apropriadamente chamado) HMS Terror - as duas embarcações perdidas no ártico.

O Erebus e o Terror

Em 1845, o capitão da Marinha Real Britânica, Sir John Franklin, partiu com alguns dos melhores marinheiros da época com a missão de mapear a Passagem Noroeste.  A expedição de Franklin não foi a primeira na região, mas foi a mais infame.

 “Porque esta [expedição] fracassou, ao contrário de todas as outras,” questiona o escritor William Battersby. “Houve algum evento terrível com a expedição.” Battersby é um dos muitos fascinados pelo mistério da última viagem de Franklin. “Nós amamos histórias de aventura, de arrojo, de luta contra todas as probabilidades, mas nessa história eles não o fizeram e continuamos sem saber por que.”

O ambiente da Passagem Noroeste é implacável. A paisagem é vasta e deserta, comparável apenas com as luas de Jupiter. Os invernos são implacáveis e sombrios. Os homens de Franklin foram confrontados com temperaturas e nevascas particularmente brutais quando alcançaram a região.

Apesar dos navios terem sido reforçados com aço e carregarem 3 anos de provisões, parece que o ambiente sobrepujou as tripulações. “O homem põe, Deus dispõe,” diz Bob Headland do Scott Polar Research Institute, que regularmente visita a região. “E os deuses do gelo são imprevisíveis.”

Sir John Franklin

O desaparecimento do Erebus e do Terror desencadeou a mais longa missão de busca da história: Apesar de haverem numerosas tentativas de encontrar os navios, não se descobriu nem sinal deles.

Ryan Harris da Parks Canada conduziu a mais recente missão a tentar localizar os naufrágios. Dois meses atrás, sua equipe passou horas varrendo o fundo do oceano, procurando em águas com até 50 metros de profundidade. “É uma história incrível. Um naufrágio no mais remoto Ártico, colocando o poderio industrial inglês contra a Mãe Natureza,” diz Harris.

Desde 1997 a Parks Canada tem gasto centenas de milhares de dólares na tentativa de localizar o Erebus e o Terror. A lenda da Expedição de Franklin enfeitiçou os canadenses – os naufrágios têm a “honra” de serem os únicos sítios históricos do Canadá que ainda não foram localizados.

“Franklin havia recebido ordens que selaram o seu destino,” explica Harris. “Dirigindo-se para sudoeste através do Estreito de Victoria eles atingiram o ponto de estrangulamento do gelo. Uma vez dentro da armadilha dessa área, estavam condenados. Não há muita vida selvagem e a região é totalmente isolada.”

O último relato conhecido do Erebus e do Terror veio em 1848. Um amontoado de pedras com uma mensagem informando que as condições precárias já haviam reivindicado as primeiras vítimas, restando apenas 105 homens vivos.

Franklin foi uma das primeiras vítimas de sua própria expedição. No mesmo ano os homens abandonaram seus navios, e arqueólogos acreditam que eles começaram a percorrer uma rota para o sul em uma tentativa desesperada de encontrar alimento.

Entretanto o ambiente hostil pouco colaborou, e com poucos animais para caçar e mais de 100 homens para alimentar, a possibilidade de sobrevivência era baixa. Acredita-se que os homens tenham recorrido ao canibalismo em seus últimos esforços para sobreviver.

Os arqueólogos confiam em histórias orais dos esquimós para tentar unir as partes do enigma. Baseado em seus relatos pensa-se que alguns dos homens viveram por outros três ou quatro anos após terem abandonado os navios.

Mas as perguntas permanecem sobre exatamente o que lhes aconteceu. Em 160 anos somente dois esqueletos e três corpos perfeitamente preservados foram descobertos. É provável que doenças como o escorbuto tenham reivindicado muitas vidas, mas Battersby acredita que podem ter sido os próprios navios que mataram os marinheiros.

Sua teoria é que os homens tenham sucumbido ao envenenamento por chumbo proveniente do sistema de tubulações internas utilizadas para derreter o gelo e produzir água para beber. Ele espera que a descoberta dos navios traga as respostas.


"Existe um encanto na história," reconhece Harris. "Resolver o mistério acabaria com o fascínio." Mas mesmo dizendo isso, Harris está determinado a continuar procurando até que o Erebus e o Terror sejam encontrados. A Parks Canada insiste que suas buscas não foram inúteis e que continuarão a recolher informações que possam ajudar com esforços futuros.

Mas após 160 anos é possível que essa lenda fique congelada no tempo para sempre. "Estes são os últimos navios-fantasma," diz Battersby. "É a maior história de fantasmas do mundo."


Fonte:

16 de setembro de 2011

Alex Honnold



No universo do Free Solo Climbing (escalada sozinho sem equipamentos de segurança) Alex Honnold é o melhor do mundo. Honnold, um garoto desajeitado e ligeiramente retraído se tornou um alpinista focado, gracioso e seguro de si, capaz de realizar as mais difíceis escaladas na modalidade free solo.

Aos 23 anos, escalou a via normal do Half Dome em solo, levando apenas 2 horas e 50 minutos. Apesar dele mesmo confessar que não foi a escalada solitária mais difícil que já tenha feito, foi sem dúvida a mais tensa psicologicamente.


O Half Dome

Para conseguir realizar o feito em solo, o americano havia escalado a mesma via em outras 3 oportunidades: primeiramente utilizando equipamentos para ascensão em artificial, depois ele a escalou em livre e, dois dias antes de entrar em solo, havia escalado em livre, com Brad Barlage, para ganhar segurança.

O único equipamento (além da sapatilha e do magnésio) que Alex levou, foram 400 ml de água.




Fontes:

15 de setembro de 2011

Jack Kerouac


"Kerouac foi um sopro de ar fresco... uma força, uma tragédia, um triunfo e uma influência duradoura, e essa influência ainda está entre nós." - Norman Mailer



Em 1957, Jack Kerouac publicava On the road e iniciava uma revolução cultural nos Estados Unidos. O livro tornou-se o manifesto da geração beat, que rompia com o conformismo do american way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Diante de uma sociedade que aniquilava o indivíduo, os beatniks queriam uma consciência nova, libertada de padrões, escolhiam a marginalidade, o encontro do êxtase através das drogas, a liberdade sexual, a manifestação das angústias, a procura da aventura no contato com o outro lado da América: os vagabundos, os desesperados, a estrada que não leva a lugar nenhum.

Jean Louis Lébris de Kerouac, um dos profetas dessa rebelião, nasceu em Lowell, Massachusetts, no dia 12 de março de 1922. Descendente de uma família de franco-canadenses, Jack Kerouac recebeu uma educação católica e, graças a suas virtudes como atleta, ganhou uma bolsa para estudar na Universidade de Colúmbia. Para Kerouac, um rapaz do interior, Nova York representou um choque pela sua sofisticação e enorme energia. No campus, conheceu o poeta Allen Ginsberg, também estudante, e William Burroughs, formado em Harvard. Os três iriam se tornar os principais representantes da geração beat.

Por intermédio de Burroughs, Kerouac tomou contato com escritores como Kafka, Céline, Spengler e Wilhelm Reich. Os três amigos passaram a conviver com a barra-pesada da Times Square, e Kerouac começou a experimentar maconha e benzedrina, vivendo parte do tempo num apartamento perto da universidade e outra parte com a família no bairro de Queens. Mas a grande influência de sua vida foi o encontro com Neal Cassady, um jovem que vivia perambulando pelos Estados Unidos, uma espécie de libertário apocalíptico. Em 1947, Kerouac resolveu sair pelo mundo e pegou a estrada. Sobrevivia com pequenos bicos aqui e ali, buscando a companhia fraternal dos vagabundos, dos trabalhadores itinerantes, dos caroneiros e da bebida. Em 1951, concluía On the Road
, com suas longas frases em que descartava o uso da pontuação. E Neal Cassady aparecia no livro transformado no personagem Dean Moriarty.

No ano anterior, Kerouac havia publicado seu primeiro romance, The Town and the City. Em seguida, vieram The Dharma Bums (1958), The Subterraneans (1958), Lonesome Traveller (1960), Big Sur (1962) Desolation angels (1965). Mas nenhum desses livros atingiu a repercussão e o vigor de On the Road. Para muitos críticos, Kerouac repetia-se com pequenas variações biográficas, e a sua busca de uma prosa espontânea tornara-se uma fórmula.

Esse grande rebelde existencial possuía idéias políticas conservadoras. Num de seus últimos textos, indagava-se como podia ter despertado contestadores ferozes como Allen Ginsberg, Timothy Leary e Abbie Hoffman. Kerouac foi sempre um individualista, e suas inquietações voltavam-se para a descoberta de um "eu" mais autêntico. Essa busca parece tê-lo encaminhado em direção ao budismo. Inadaptado até o fim, Kerouac isolou-se completamente nos últimos anos de sua vida. Recluso, dividia uma casa com sua mãe em St. Petersburg, na Flórida. Bebia compulsivamente, via televisão horas a fio, pintava quadros repletos de Cristos tristes e usava uma grande cruz no peito: tinha retornado à religião de sua infância, o catolicismo. A 12 de outubro de 1969, com quarenta e sete anos, Jack Kerouac morria de uma hemorragia estomacal provocada pelo excesso de bebida. 

No vigésimo quinto aniversário da publicação de On the Road, os grandes nomes da beat generation como Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Gregory Corso, Carl Solomon, William Burroughs e Michael McClure reuniram-se na Universidade do Colorado para homenagear Kerouac, o grande companheiro de viagem. William Burroughs declarou: "Tudo é permitido, nada é real. O legado de Kerouac é o da ternura". Em 1972, foi publicado seu último livro, Visions of Cody.


Trechos e Citações:

"A morte irá nos surpreender antes do paraíso."

"Para mim da tudo na mesma, contanto que seja excitante e de a volta ao mundo."

"E percebo que não importa onde eu esteja, seja em um quartinho repleto de idéias ou nesse universo infinito de estrelas e montanhas, tudo está na minha mente. Não há necessidade de solidão. Por isso, ame a vida como ela é e não forme idéias preconcebidas de espécie alguma em sua mente."

"O anonimato no mundo dos homens é bem melhor do que a fama no céu."

"Porque o silêncio em si é como o som dos diamantes que podem cortar tudo."

"Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância."

"Se a moderação é um defeito, a indiferença é um crime ."

"Que sensação é essa de estar se afastando das pessoas, até que delas, ao longe, na planície, você só consegue distinguir minipartículas, dissolvendo-se na vastidão do infinito? - é o mundo que nos engole, é a despedida. Mas nos inclinamos à frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu."

"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."

"Minha vida que não me ama, minha amada que não me quer. Seduzo as duas."

“Mas eu tinha minhas próprias idéias e elas não tinham nada a ver com a parte "lunática" de tudo aquilo. Eu queria comprar um equipamento completo com tudo que é preciso para dormir, abrigar-se, comer, cozinhar, na verdade uma cozinha e um quarto completos bem nas minhas costas, e partir para algum lugar e encontrar a solidão perfeita e olhar para o perfeito vazio da minha mente e ser completamente neutro em relação a toda e qualquer idéia.”

"Oh, esses caipiras burros, estúpidos, tapados, jamais mudarão, são completa e absolutamente estúpidos. Chega o momento de agir e eles ficam paralizados, histéricos, assustados - nada os amedronta mais do que aquilo que querem."

“A verdade da coisa é, você morre, tudo que você faz é morrer, e contudo você vive, sim você vive, e isso não é uma mentira.”

“A velha noite de verão canta. – É assim que eu vou dormir, sob as estrelas na varanda e ao amanhecer eu me viro com um sorriso alegre no rosto porque as corujas estão chamando e respondendo em dois enormes troncos de arvores mortas um em cada extremo do vale, uh, uh, uh.”

"...não havia lugar algum para ir senão todos os lugares, rodando sempre, sob as estrelas..."

" Quando vejo uma folha cair, sempre digo adeus."

"O viajante possui dois relógios que não se podem comprar na Tiffany's. Em um pulso o sol, no outro a lua. As mãos são feitas de céu."

"Não importa onde eu esteja, minha mochila esta sempre a mão, estou sempre pronto pra partir."