Tem sido descrito como uma das maiores histórias de horror da era vitoriana. Dois navios com 129 homens a bordo e equipados com a tecnologia mais avançada, desaparecem quase sem deixar vestígios. Cento e sessenta anos de pesquisa não encontraram o HMS Erebus e seu navio-irmão, o (um tanto apropriadamente chamado) HMS Terror - as duas embarcações perdidas no ártico.
O Erebus e o Terror
Em 1845, o capitão da Marinha Real Britânica, Sir John Franklin, partiu com alguns dos melhores marinheiros da época com a missão de mapear a Passagem Noroeste. A expedição de Franklin não foi a primeira na região, mas foi a mais infame.
“Porque esta [expedição] fracassou, ao contrário de todas as outras,” questiona o escritor William Battersby. “Houve algum evento terrível com a expedição.” Battersby é um dos muitos fascinados pelo mistério da última viagem de Franklin. “Nós amamos histórias de aventura, de arrojo, de luta contra todas as probabilidades, mas nessa história eles não o fizeram e continuamos sem saber por que.”
O ambiente da Passagem Noroeste é implacável. A paisagem é vasta e deserta, comparável apenas com as luas de Jupiter. Os invernos são implacáveis e sombrios. Os homens de Franklin foram confrontados com temperaturas e nevascas particularmente brutais quando alcançaram a região.
Sir John Franklin
O desaparecimento do Erebus e do Terror desencadeou a mais longa missão de busca da história: Apesar de haverem numerosas tentativas de encontrar os navios, não se descobriu nem sinal deles.
Ryan Harris da Parks Canada conduziu a mais recente missão a tentar localizar os naufrágios. Dois meses atrás, sua equipe passou horas varrendo o fundo do oceano, procurando em águas com até 50 metros de profundidade. “É uma história incrível. Um naufrágio no mais remoto Ártico, colocando o poderio industrial inglês contra a Mãe Natureza,” diz Harris.
Desde 1997 a Parks Canada tem gasto centenas de milhares de dólares na tentativa de localizar o Erebus e o Terror. A lenda da Expedição de Franklin enfeitiçou os canadenses – os naufrágios têm a “honra” de serem os únicos sítios históricos do Canadá que ainda não foram localizados.
“Franklin havia recebido ordens que selaram o seu destino,” explica Harris. “Dirigindo-se para sudoeste através do Estreito de Victoria eles atingiram o ponto de estrangulamento do gelo. Uma vez dentro da armadilha dessa área, estavam condenados. Não há muita vida selvagem e a região é totalmente isolada.”
O último relato conhecido do Erebus e do Terror veio em 1848. Um amontoado de pedras com uma mensagem informando que as condições precárias já haviam reivindicado as primeiras vítimas, restando apenas 105 homens vivos.
Franklin foi uma das primeiras vítimas de sua própria expedição. No mesmo ano os homens abandonaram seus navios, e arqueólogos acreditam que eles começaram a percorrer uma rota para o sul em uma tentativa desesperada de encontrar alimento.
Entretanto o ambiente hostil pouco colaborou, e com poucos animais para caçar e mais de 100 homens para alimentar, a possibilidade de sobrevivência era baixa. Acredita-se que os homens tenham recorrido ao canibalismo em seus últimos esforços para sobreviver.
Os arqueólogos confiam em histórias orais dos esquimós para tentar unir as partes do enigma. Baseado em seus relatos pensa-se que alguns dos homens viveram por outros três ou quatro anos após terem abandonado os navios.
Mas as perguntas permanecem sobre exatamente o que lhes aconteceu. Em 160 anos somente dois esqueletos e três corpos perfeitamente preservados foram descobertos. É provável que doenças como o escorbuto tenham reivindicado muitas vidas, mas Battersby acredita que podem ter sido os próprios navios que mataram os marinheiros.
Sua teoria é que os homens tenham sucumbido ao envenenamento por chumbo proveniente do sistema de tubulações internas utilizadas para derreter o gelo e produzir água para beber. Ele espera que a descoberta dos navios traga as respostas.
"Existe um encanto na história," reconhece Harris. "Resolver o mistério acabaria com o fascínio." Mas mesmo dizendo isso, Harris está determinado a continuar procurando até que o Erebus e o Terror sejam encontrados. A Parks Canada insiste que suas buscas não foram inúteis e que continuarão a recolher informações que possam ajudar com esforços futuros.
Mas após 160 anos é possível que essa lenda fique congelada no tempo para sempre. "Estes são os últimos navios-fantasma," diz Battersby. "É a maior história de fantasmas do mundo."
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